quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Protesto pela vida concreta

De nutrir virtualidades, engordei longas histórias de ausência. Corri veloz por circuitos de mim mesmo; criminalizei a experiência de ser-com-risco, de ser-sem-aviso, de ser receptivo. Forjei lugares sem franquia para o trauma e, que paz obtive? Hoje se alvoroça uma multidão nos portões da pele cobrando o suor que há noites não encontra par. Intercedem pelos olhos que encarcerados em luzes, LEDs e outros espelhos de engano, desconhecem o benefício da visita. Que vida, que rua lá fora, que sorriso trocado resistirá a esse protesto? Eu sinto que não caibo na espera por ser. Meus pés desejam casar-se com as esquinas e outras curvas que escondem caminhos, portos, amores concretos. Então, que se abram os portões. Que se aproximem e testemunhem os abraços, os cheiros, a cama quente e o cansaço de ser sob o sol o que falta nessas redes de distância, ciberalianças, decalques de falta, sombras de coisa nenhuma.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Meu bem, meu bem... Já fomos mais que curtidas nas mãos um do outro. Tua distância anuncia o inverno das cores. Vê lá fora? Tudo se inclina ao cinza. Sinto que hoje o céu dos meus olhos também amanheceram fechados. Carregados de nuvens estão e ameaçam chorar as mais ácidas gotas. Que caiam elas e corroam o afeto ou o veto que nos enterra sob sete palmos de saudade.