terça-feira, 7 de agosto de 2012

Moral, déspota das nações, o teu apelo ecoa, embrutece e não me toca; me atravessa, me esgota, mas não me toca. Senhora de rebanhos, o teu alarido não me importa. Ao teu gado daí pastos novos, mas a mim o prazer dos ares cardeais. Porque quando vi dançar a folha ao vento nu, por inveja fiz pender os guardas de tua casa e à ruína dei o teu semblante. Não me serve o teu brasão, porém, de bom grado aceito o desterro se lá for cantada a liberdade. Agora, guarda o metro que mede o verso, pois eu escrevo em prosa. 


Acontece que o amor nunca conheceu a liberdade, senão para a tristeza das partes. O amor casou-se. Quis conjugar-se à exclusividade. Seus monólogos são de domínio, pronunciados por romance. Tal qual macieira, logo cresce, embrutece o caule, se dá em desvios por galhos e, do cume, já não se enxerga os predicados de origem; seca e atesta o fracasso que o otimismo um dia vestiu de esperança e de palavras salutares. A mim terás enganado amor, quando de meus desejos me encontrar prisioneiro. Daí então, réu do teu leme, bem-direi os teus laços e velarei teu estandarte. 

domingo, 5 de agosto de 2012


vencedores do tempo
fez o poeta  de seus versos
quando, displicente
os fez largada de sentidos.
extraviados,
percorreram polissemias
cresceram pelo que significou o outro
e não morreram

no que primeiro traçou a caneta


Do desconhecer eu anelo medidas que embalem felizes distorções, porque hoje tudo é gris. De conhecer, o que fiz das ilusões? Dos finais felizes? Que fim dei à esperança? Meus resguardos de fantasia ruíram num levante de pensamentos, e agora toda curva de pincel reclama simetria.