Tem faltado eu nisso tudo Maria! Tem faltado pele, sereno,
lágrimas e riso conjugados. Tem faltado poemas e aquelas conversas que a gente
não interrompia pelo cansaço que é pensar no amanhã. Falta espaço, porque viver
aqui concorre com a rotina, o texto, o trabalho e com o resto das coisas que
eu, escravo de tudo, tenho sido convocado a fazer. Ando cansado. Mas não de
sorrir, ou desse céu, testemunha dos meus dias sobre altares do Governo. Vacilo
no que supomos, massivamente, ser viver. Entregues a tantos afazeres Maria,
vejo mais vida naquilo que a tarefa sustenta do que em mim, pião deste
tabuleiro. E, a bem da verdade, é colossal o que ela sustenta... Enquanto nós,
seguimos às sombras de promessas morosas. Há de se buscar um sentido para a
vida, afinal, é isso que também nos enche os pulmões. Mas, que nos encha o
suficiente, sem predicados desnecessários, para que lá na frente, quando o que
te escrevo for revisto, reste a certeza de que não há no rosto um só lamento
por dias nos quais deixei que a hora passasse sem que passasse por mim.