quarta-feira, 31 de julho de 2013

Quatro luzeiros acesos sobre a serra anunciam a tua imprudência; e a tua surdez, o que faz destes gritos? O que em ti resiste? Eu os vi velando a noite. Seus cortejos não sensibilizam os teus ouvidos envaidecidos por palanques. Que direi dos teus olhos? Vazados por conchavos. Mas, guarda teu descaso, pois, esse brado que insiste vem a galope e sua marcha desordeira marcará fundo o teu semblante; atingirá até os mais céticos da tua horda. Rapina que é, mergulhará rasante e suas penas ventilarão as mentes mais néscias desta nau. Importa que eu te lembre para que não sejas ainda mais estranho aos teus sentidos e, mal acolhido, arremeta voo para longe no espaço. Irá para onde vinhos vagabundos e sedas amassadas lhe deem abrigo, como aqui hoje o fazem. Nestas casas, o lamento tem valor de troca e compram a liberdade em episódios de embriaguez. O quanto te falta Musa, de embriaguez? Quanto sobrou da tua ousadia? Hasteia-a quando te alcançar o grito. Não deixe ileso do teu amparo o que nasceu em justiça à tua causa. Junto a eles, põe-te por luzeiro-mor. Já não agrada tanto inverno. É preciso florescer.

sábado, 27 de julho de 2013

Careço, desesperadamente, de um signo que me ponha em descanso na vida. Um verso, um estrofe que forje um lugar de repouso; ponha em suspenso esse barulho que tem sido o nada em busca de vir a ser. Eu suponho que será a letra o guarda desta casa que há dias sofre do que desconhece; será juíza e semblante deste fantasma. Mas, estou cá às voltas... Que rima ela fará com o que sequer audiência obteve? Que forma dará ao que prescinde contorno? Talvez no fim, e sem sucesso, ela me ofereça um engano; uma mentira que me seduza o desejo. E já cansado, eu decalque o que pouco diz de mim, mas que me salva do silêncio.