Careço,
desesperadamente, de um signo que me ponha em descanso na vida. Um verso, um
estrofe que forje um lugar de repouso; ponha em suspenso esse barulho que tem
sido o nada em busca de vir a ser. Eu suponho que será a letra o guarda desta
casa que há dias sofre do que desconhece; será juíza e semblante deste
fantasma. Mas, estou cá às voltas... Que rima ela fará com o que sequer
audiência obteve? Que forma dará ao que prescinde contorno? Talvez no fim, e
sem sucesso, ela me ofereça um engano; uma mentira que me seduza o desejo. E já
cansado, eu decalque o que pouco diz de mim, mas que me salva do silêncio.
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