Quatro luzeiros acesos sobre a serra anunciam a tua imprudência; e a tua
surdez, o que faz destes gritos? O que em ti resiste? Eu os vi velando a noite.
Seus cortejos não sensibilizam os teus ouvidos envaidecidos por palanques. Que
direi dos teus olhos? Vazados por conchavos. Mas, guarda teu descaso, pois, esse
brado que insiste vem a galope e sua marcha desordeira marcará fundo o teu semblante;
atingirá até os mais céticos da tua horda. Rapina que é, mergulhará rasante e
suas penas ventilarão as mentes mais néscias desta nau. Importa que eu te
lembre para que não sejas ainda mais estranho aos teus sentidos e, mal
acolhido, arremeta voo para longe no espaço. Irá para onde vinhos vagabundos e
sedas amassadas lhe deem abrigo, como aqui hoje o fazem. Nestas casas, o
lamento tem valor de troca e compram a liberdade em episódios de embriaguez. O
quanto te falta Musa, de embriaguez? Quanto sobrou da tua ousadia? Hasteia-a quando
te alcançar o grito. Não deixe ileso do teu amparo o que nasceu em justiça à tua causa. Junto a eles, põe-te por luzeiro-mor. Já não agrada tanto inverno. É
preciso florescer.
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