Moral, déspota das nações, o teu apelo ecoa,
embrutece e não me toca; me atravessa, me esgota, mas não me toca. Senhora de
rebanhos, o teu alarido não me importa. Ao teu gado daí pastos novos, mas a mim
o prazer dos ares cardeais. Porque quando vi dançar a folha ao vento nu, por
inveja fiz pender os guardas de tua casa e à ruína dei o teu semblante. Não me
serve o teu brasão, porém, de bom grado aceito o desterro se lá for cantada a
liberdade. Agora, guarda o metro que mede o verso, pois eu escrevo em prosa.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Acontece
que o amor nunca conheceu a liberdade, senão para a tristeza das partes. O amor
casou-se. Quis conjugar-se à exclusividade. Seus monólogos são de domínio, pronunciados por romance. Tal qual macieira, logo cresce, embrutece o caule, se dá em
desvios por galhos e, do cume, já não se enxerga os predicados de origem; seca
e atesta o fracasso que o otimismo um dia vestiu de esperança e de palavras
salutares. A mim terás enganado amor, quando de meus desejos me encontrar
prisioneiro. Daí então, réu do teu leme, bem-direi os teus laços e velarei teu
estandarte.
domingo, 5 de agosto de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Eclipsado
Das chagas que tive, teu espelho foi a pior mestre: me roubou um olhar. Pois, mesmo quando os teus olhos nos meus repousavam, eram para que a ti mesmo encontrasse posto num altar, aclamado por teus medos de imperfeição.
quinta-feira, 15 de março de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Angústia
A disciplina que intercepta e reorienta meu desejo, me traz à garganta gritos de socorro e guerra. O primeiro, comunica a dor de um cárcere manifesto em práticas discursivas que só se impõem para evocar poder; o segundo, esse fala de motim e liberdade existencial. A esse me encontro claramente inclinado... indisposto à docilidade e severamente persuadido ao não-moral. A dúvida recorrente é: se no circo em que fui adestrado, há espaço para improviso...
Assinar:
Postagens (Atom)