quinta-feira, 11 de abril de 2013

Notícias de cá


Tem faltado eu nisso tudo Maria! Tem faltado pele, sereno, lágrimas e riso conjugados. Tem faltado poemas e aquelas conversas que a gente não interrompia pelo cansaço que é pensar no amanhã. Falta espaço, porque viver aqui concorre com a rotina, o texto, o trabalho e com o resto das coisas que eu, escravo de tudo, tenho sido convocado a fazer. Ando cansado. Mas não de sorrir, ou desse céu, testemunha dos meus dias sobre altares do Governo. Vacilo no que supomos, massivamente, ser viver. Entregues a tantos afazeres Maria, vejo mais vida naquilo que a tarefa sustenta do que em mim, pião deste tabuleiro. E, a bem da verdade, é colossal o que ela sustenta... Enquanto nós, seguimos às sombras de promessas morosas. Há de se buscar um sentido para a vida, afinal, é isso que também nos enche os pulmões. Mas, que nos encha o suficiente, sem predicados desnecessários, para que lá na frente, quando o que te escrevo for revisto, reste a certeza de que não há no rosto um só lamento por dias nos quais deixei que a hora passasse sem que passasse por mim.  

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