sexta-feira, 27 de maio de 2011

Não-eu arquivado

esqueceram de por em registro
que fui riscado a giz;
que brisa qualquer  
me fragmenta o contorno.

versaram nomes,
datas e desejos parentais.
falaram de muita coisa,
menos de mim.

naquele cartório,
eu sou o que falta,
em letra
e pessoa.

deram-me pais...
deram-me pais!
um dia volto lá e digo
que quem anda me parindo

é o tempo.

numa puta sa’labuta
chamada mundo.
aqui leitor,
não há espaço pra choro.

só força.

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