domingo, 20 de outubro de 2013

Meia dúzia de rugas bem escritas, borrões que deixam ver no fundo gestos apagados e uma nota de reparação, foi o que me deixou escrito num espelho. Nenhum batom vermelho, dedos num vidro embaçado ou adesivo na silhueta: escreveu com horas sulcos e durezas no meu corpo. Marcas que o zelo nos olhos não confessa sem amargurar o riso, nem supera sem o amparo de uma ilusão. Na testa, uma coleção de manhãs. E são tantas! No peito, um choro vertido, um soluço calmo. Na boca, a saudade do beijo que guarda um convite e desobriga os pés da procura. Silêncio nos ouvidos – e isso foi o que de ganho teria, não fosse a falta d'Ela em quem tudo é música... Vejo que mudei... Até quando não quis, eu mudei. Contra isso não há fortaleza. Mas, ainda tem daquele passado aqui e desse presente lá, quando eu não passava de futuro, todos juntos, e, por isso, mais fortes, embora alquebrados. Somos nós agora. Um robusto. Eu e todos os eus que o remetente nesse espelho fincou no mundo. 

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