Meia
dúzia de rugas bem escritas, borrões que deixam ver no fundo gestos apagados e
uma nota de reparação, foi o que me deixou escrito num espelho. Nenhum batom
vermelho, dedos num vidro embaçado ou adesivo na silhueta: escreveu com horas
sulcos e durezas no meu corpo. Marcas que o zelo nos olhos não confessa sem
amargurar o riso, nem supera sem o amparo de uma ilusão. Na testa, uma coleção
de manhãs. E são tantas! No peito, um choro vertido, um soluço calmo. Na boca,
a saudade do beijo que guarda um convite e desobriga os pés da procura.
Silêncio nos ouvidos – e isso foi o que de ganho teria, não fosse a falta d'Ela
em quem tudo é música... Vejo que mudei... Até quando não quis, eu mudei.
Contra isso não há fortaleza. Mas, ainda tem daquele passado aqui e desse
presente lá, quando eu não passava de futuro, todos juntos, e, por isso, mais
fortes, embora alquebrados. Somos nós agora. Um robusto. Eu e todos os eus que
o remetente nesse espelho fincou no mundo.
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