Tem uma mistura, uma agressividade aqui dentro, destilada entre letras e outras parcialidades, que já não quer paliativo medíocre. Com frequência meus encontros são denúncias: marcam um desafino quando um sorriso torto se curva na boca, mas não nos olhos. Essa diplomacia que adia o confronto, toda essa merda que embrulha os dias em nome dos bons costumes, recobre essa força que, sem saída, se extravia por dentro, faz um estrago. Houve um tempo em que a verdade não me vestia bem, amedrontava - e amargo seu legado. Hoje sofro de um nó que o papel não desata, não basta a poesia; a língua rejeita, resiste, aborta no divã. Para que não arrebente dentro o que resisto fora, prometo parir de 20 meses o gesto, a palavra e a dor que não faz sequer cerimônia pra dizer que o que abrigo é regra da vida: conflito.
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